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Heart and Soul

Dezembro 14, 2007

Já fui ver, o já muito falado por aqui, Control e posso desde já dizer que adorei cada segundo. Anton Corbijn presenteia-nos com uma fotografia lindíssima em todo o filme, que nos consegue transmitir toda a dor e melancolia de Curtis. Desde os seus tempos de adolescência incomformada, até à espiral de sofrimento, por amor, culpa, transtorno perante a fama e a sua convivência com a epilepsia, que o levam para um lado demasiado negro, do qual não consegue regressar.

A corda sempre presente na cozinha como se o esperasse, e a última vez que fala com Deborah e em que já não consegue sair da escuridão em que se tinha embrenhado, são algumas das molduras, que compõe o retrato de uma vida que terminou apenas aos 23 anos de idade.

O filme mostra-nos a constante divisão na vida de Ian Curtis, o choque da sua vida de trabalhador banal e igual a tantos outros, com uma mulher timida e caseira, e já com as responsabilidades da paternidade, e o contraste com o mundo de estrela de rock em ascenção com uma amante sofisticada e independente, o seu verdadeiro escape.

A culpa corroi-o, tal como a sua doença e as sucessivas crises de epilepsia, com ataques cada vez mais dramáticos e frequentes. Não consegue evitar que o seu mundo “caseiro”, se torne cada vez mais um apêndice exterior a si mesmo, com o qual não sabe lidar. A fama, dantes pretendida, não lhe traz satisfação, torna-se como uma corda bamba sobre a qual sente perder o controlo. A sua morte foi a saída, que fracturado, conseguiu encontrar.

 

Sam Riley é sempre exemplar em todo o filme, conseguindo sempre extrapolar um Curtis credível e ao nível do mito, humanizando e abrindo um pouco do livro fechado do seu rosto. Sendo seguido pela também exelente Samantha Morton no papel da esposa de Curtis, Deborah.

Num filme, praticamente sem falhas, somos embrulhados no universo dos Joy Division, e numa época excitante musicalmente, numa geração filha de nomes como Bowie e Lou Reed que procurava novos caminhos. Surgiam grupos como os Sex Pistols, contestatários por natureza, e a cinzenta e precária Manchester era o ninho ideal para uma das mais emblemáticas bandas da famosa Factory, de Tony Wilson.

Interrogo-me com a visão que terá a filha de Ian Curtis, Natalie , do pai que se suicidou quando ela tinha apenas 1 ano de idade. Talvez seja por isso, como ela própria diz, que se tenha tornado fotógrafa, devido a todo o impacto que lhe causou a imagem do pai, que só conheceu através de fotos e artigos em revistas de música.

Curioso é também espreitar, o seu olhar sobre as filmagens do filme sobre a sua vida, como esta acima de Sam Riley e Samantha Morton. A reportagem completa do Guardian e mais fotos aqui.

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